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Cabo Verde: Pobreza, abandono escolar e estigamatização

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Author: Simone

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26 de Julho 2007

A maioria das pessoas seropositivas em Cabo Verde vive num ciclo de pobreza e as famílias que hospedam e cuidam dos órfãos da Sida são pobres.. Dar apoio psicológico social e económico a estas crianças é fundamental para o futuro delas.

“A fragilidade socioeconómica dessas famílias é um factor determinante do abandono escolar,” refere o estudo realizado entre Novembro de 2004 e Junho de 2005 pelo Instituto Cabo-Verdiano de Solidariedade e a CCS. Um em cada cinco órfãos não estuda, e metade deles por falta de dinheiro.

Entre os que não estudam, 25 por cento reprovaram, o que demonstra, segundo o estudo, que “a instabilidade familiar originada pela perda de um progenitor afecta muito o desempenho escolar.” 

Na Praia, capital nacional, a organização não governamental Morabi trabalha com 30 órfãos de Sida, incluindo alguns seropositivos. Eles vivem com famílias, vizinhos ou padrinhos.

A assistência deste grupo inclui alimentação, material escolar e transporte escolar. Um microcrédito ajuda as famílias hospedeiras a estabelecerem negócios e a atingir independência económica. Contudo, ainda há muito por fazer, afirmou a coordenadora de projectos de HIV da Morabi, Fátima Alves.

“Não podemos apoiar as famílias durante apenas um ou dois anos, precisamos apoiá-las a longo prazo”, disse ao PlusNews. Para ela, existe vontade política para trabalhar nisto, mas faltam acções claras e a disponibilização de mais recursos.

Em Cabo Verde não existem orfanatos e outras instiuições para receberem crianças, mesmo que temporariamente, quando as famílias biológicas e as hospedeiras não estão em condições económicas e psicológicas para receber mais uma criança.

Além de tudo isso, as crianças órfãs da Sida são muitas vezes estigmatizadas.

“Estamos a entrar numa segunda fase que tem a ver com a interiorização dos factos. A sociedade cabo-verdiana está ainda longe de mostrar o feito disso e a discriminação é muito forte”, disse Alves.

Lizete Henriques, psicóloga da Morabi, concorda e acredita que a reconstrução da força emocional das crianças órfãs é fundamental para o bem-estar delas.

“Elas têm problemas de baixa auto-estima. Em alguns casos elas perderam os dois progenitores e não recebem os cuidados de que uma criança precisa”, disse. “Muitas delas não são informadas por qué perderam os pais. Não posso chegar a uma criança e dizer-lhe, isso deve vir da família”, explica.

Segundo o estudo, a maioria dos postos de saúde tem falta de assistentes sociais, psicólogos e instalações para a testagem do HIV. “Este trabalho fragmentado, o silêncio e a falta de engajamento das instituições governamentais afectam a situação de precariedade dos órfãos de Sida” em Cabo Verde, diz o estudo.
 

 http://www.plusnews.org/pt/Report.aspx?ReportId=73434

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