A Identidade da 'Bota Branca'
18 February 2009
Cá vai então o meu pensamento livre:
...é que na Madeira nunca me cruzei com nenhuma situação deste género.
Ocorreu-mereflectir isto convosco por causa do cruzamento que se pode fazer com o estudo referido pelo P. Albino Lopes (aquele que preparou 'mendigos de faz de conta', com sinais evidentes de deterem potencial para abraçarem um projecto de emancipação/autonomia) - e, julgo ter percebido que NENHUMA Assistente Social 'agarrou' esta possibilidade, antes redireccionaram os supostos mendigos para a subsídio-dependência.
Eu não estou a conseguir digerir isto!
Nos 6 anos de experiência na Madeira, o mais leve 'sinalzinho' de possibilidade de mudança/emancipação manifestado por um utente desencadeava quase que 'atropelos' de várias profissionais (diferentes instituições) que trabalhavam aquele caso, na ânsia de se conseguir obter mais um sucesso (leia-se: autonomização).
Levanto então esta desconfiança: será que a amostra daquele estudo está enviesada e só contemplou as 'A. S. de botas brancas'? Só pode.
Tem mais. Segundo a categorização de Claude Dubar, esta 'identidade da bota branca' é típica dos profissionais que se encontram num processo de exclusão, dado haver ruptura em ambas as transacções, isto é, quer no eixo da Id. Herdada/Visada, quer no eixo da Id. Atribuida/Incorporada.
UFF!!!...
Original Language:


Florbela, uma coisa é certa. Existem por este país muitas/muitos "A.S. de botas brancas", pelo menos é essa a percepção que tenho. A todos os momentos sou confrontada com esta miserável realidade e é por isso que aqui estamos, para a contornar. Mas, também concordo com a possibilidade do estudo referido pelo Prof. Albino Lopes estar enviesado pois acredito que esta não é a realidade de todos os profissionais de Serviço Social. Há por aí muitos bons profissionais que ao "mais leve 'sinalzinho' de possibilidade de mudança/emancipação manifestado por um utente" desencadeiam "quase que 'atropelos' de várias profissionais (diferentes instituições) que trabalhavam aquele caso, na ânsia de se conseguir obter mais um sucesso (leia-se: autonomização)". Devemos por isso priveligiar estas situações e trabalhar para que só estas realidades subsistam.