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O conceito de "prática" na perspectiva de Wenger

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Author: Ana

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Na perspectiva em que Wenger privilegia a utilização do conceito de prática este não cai nas tradicionais dicotomias actuar/conhecer e concreto/abstracto. Este conceito é frequentemente utilizado como antónimo de teoria, ideias, ideais ou discurso. No entanto, o autor defende que o comprometimento na prática envolve sempre a pessoa ou o profissional na sua totalidade, agindo e conhecendo em simultâneo.

Na sua teorização sobre a pertinência da criação de comunidades de prática, Wenger enaltece-as enquanto espaços privilegiados de desenvolvimento e partilha das diferentes formas de compreender e apreender o mundo, as realidades com que cada um interage. Independentemente das discrepâncias existentes entre o discurso e a acção, o que se ambiciona e o que se empreende, o que se conhece e o que se consegue manifestar, as comunidades de prática viabilizam a articulação entre as referidas dimensões que frequentemente surgem dissociadas.

A relação entre a teoria e a prática é sempre complexa e interactiva. A prática não está imune à influência da teoria, mas também não se circunscreve à realização da teoria nem é uma mera aproximação da mesma. Alguns estudos realizados evidenciam que se espera uma maior reflexividade dos teóricos comparativamente a outros profissionais de uma mesma disciplina. No entanto, Wenger sublinha que o carácter formal dos seus produtos finais podem ocultar as complexidades da prática e os processos quotidianos dos quais emergem. Defende que "prática é prática" e apela à necessidade de lhe atribuir sentido, particularmente através da participação em espaços que promovem a reflexividade em conjunto com outros profissionais.

 

Aparentemente todos reconhecemos a importância da teoria, caso contrário não regressaríamos à Academia. Algo nos moveu até aqui....

Seria a tal necessidade de atribuir sentido às nossas práticas?!

Iniciámos este percurso há alguns meses e arrisco dizer que tem sido constante o incentivo à articulação entre teoria e prática. Perspectiva-se a produção de conhecimento científico, que emerge precisamente da complexa relação entre ambas. A reflexividade, a sua centralidade na produção de conhecimento e na melhoria da prática a diferentes níveis, tem sido um tema recorrente nos seminários.

Que espaços reservamos para reflectir a nossa prática?!

Em colectivo ou individualmente, de que forma preconizamos esta reflexão que reconhecemos ser preponderante por diversas razões?!

Que conhecimento produzimos ou aprofundamos a partir da nossa prática?!

Que mudanças sentimos desde o início deste percurso académico?!

Comments  Comments

2114881128_8d86400f15_m_1__thumb_small marta | Clock  05 May 2009:

Ana, escolho, com dificuldade, dada a pertinência e interesse, apenas uma das questões... Que espaços reservamos para reflectir a nossa prática?! Esta pode ser um ponto de partida para pensarmos sobre o objectivo das CoP's e se , de facto , são úteis à reflexão, mesmo que , por vezes , o registo da reflexão indivídual não tenha o retorno imediato e tão esperado , por parte do grupo. Pode ser também uma boa questão para a partilha que está prevista com o Professor José Lagarto no dia 27. Podemos pensar em mais...

 Magda | Clock  11 May 2009:

"Que conhecimento produzimos ou aprofundamos a partir da nossa prática?" Gosto pouco daquilo que se pode concretizar em receitas (se não acreditam aproximem-se um dia da minha cozinha!!); no entanto a aproximação que defendo é a de um Serviço Social facilitador de um «agir-reflectir crítica», partilhando aqui as palavras de Aglair Setubal (2007). Considero que a especificidade da nossa profissão poderá residir na capacidade de não fazermos teoria por teoria. Uma teorização da nossa prática? Indagam os diferentes artigos sobre o tema. Como? Poucos refletem como o fazer? Se calhar torna-se uma resposta dificil, o que desde sempre nos procuraram evidenciar como a tão desejável articulação entre teoria e prática, como se de algo espontâneo se tratasse. Porém não será o Assitente Social o actor por exelência que através do registo e sistematização, poderá dar corpo a uma sucessão de saberes cumulativos sobre uma determinada prática? Nem todos os registos tem de obrigatóriamente obdecer a uma reflexão sincronizada entre teoria e prática, poderão no entanto, estes registos facilitar a acumulação de um prática que é nossa e que pode dia para dia melhorar, tornando-se facilitadora de mudança, pelo simples facto de nos ter feito não ficar pelo aparente... Pelo simples facto de amanhã termos a possibilidade de olhar para esse registo e novos saberes e questionamentos se levantarem... Será??




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