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Em resposta à Ana Barroso sobre o trabalho em equipa:

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Author: Florbela

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Tenho em mente a experiência em equipa interdisciplinar de 2002-2008, no âmbito da intervenção precoce e da educação especial, no apoio às faixas etárias compreendidas entre os 0-16 anos de idade. Ao nível da intervenção precoce havia, na altura e pressuponho que deve continuar, uma acesa discussão em torno dos conceitos ‘multi’ (múltiplos, diversos), ‘inter’ (entre um e outro, entre dois, duplo) e ‘trans’-disciplinar (transferência, transformação, trânsito).

Pretendia-se que a intervenção precoce atingisse o nível ‘superior’ de transdisciplinriedade, tornando viável que cada membro da equipa pudesse intervir noutra qualquer área profissional; desde que assim fosse considerado eficaz, eficiente, oportuno e aceitável pela equipa. Um exemplo: uma educadora de infância a desempenhar funções de terapia da fala (com articulação e formação da respectiva terapeuta) e vice-versa, numa sessão de terapia da fala poderem ser conjugadas aprendizagens específicas do campo profissional da educadora de infância.

Faltou sempre e só, a componente da aceitação. As tentativas efectuadas no sentido da transdisciplinariedade foram goradas, a meu ver, devido à espiral propulsionadora de negativismo receoso que assombra a nossa mente humana. Na área laboral, dado o peso relativo do trabalho na nossa experiência social, parece ainda haver maiores obstáculos à prática de partilha de saberes; havendo em muitos casos a sensação de que essa partilha, com carácter de ‘transferência’, tinha como significação directa o ‘estar-se à beira de um precipício’, cuja queda era percepcionada como senha de entrada directa no desemprego. Por isso, a mera proposta de abrir mão dos respectivos saberes profissionais, produto da especialização que cada membro detém, pode provocar duras guerras e gerar fissuras profundas nas dinâmicas das equipas.

A interdisciplinaridade é um nível intermédio. Julgo que será neste sentido que a Ana  Barroso usa o termo ‘multi-profissional’, quando se refere ao diálogo e à flexibilidade das fronteiras. Haverá uma troca combinatória entre os membros da equipa, mas dois a dois, isto é, em relação biunívoca. Todavia, não estando prevista a este nível, a viabilidade de substituição entre profissionais de áreas diferentes, que a transferência e o trânsito de saberes inerentes à transdisciplinariedade pressupõe.

Concebo a  multidisciplinaridade como o nível menor e mais pobre, dada a probabilidade de se desembocar facilmente em situações em que mais não são do que simples ‘amontoados’  de saberes, que até se reúnem com alguma periodicidade, mas sem conseguirem uma interacção mínima satisfatória, dado cada membro estar concentrado muito mais na defesa das suas próprias ‘vestes’ profissionais, que ainda por cima, considera terem supremacia sobre todas as demais.

O desafio da transdisciplinariedade, tal como tantos outros na nossa experiência humana, remete-nos para a necessidade de ‘outro olhar’, que contrabalance esta desproporção e este insustentável peso da negatividade, do patológico, do queixume estéril e da linguagem da desesperança. É considerável a imensa quantidade de livros que apontam caminhos para a felicidade, a partir da imperativa necessidade dos ‘autos’ (auto-estima, auto-realização, auto-confiança, auto-ajuda, auto-defesa). Isto num contexto de urgência da superação das barreiras a ultrapassar, sem nos questionarmos até que ponto não será o próprio indivíduo a mais complicada das barreiras, quando se descrê, quando cai em inseguranças, ansiedades e depressões.

O estudo científico das emoções positivas, do carácter positivo e das instituições positivas nas organizações e locais de trabalho tem vindo a ser gradualmente reconhecido (Marujo, Neto:2007). Têm sido muitos os autores a propor intencionalmente um olhar enviesado positivo para desenvolver o potencial dos indivíduos, das organizações e das equipas; já que será baseado nas forças, talentos e em formas energizantes.

Não negligenciando o negativo, mas tornando-o irrelevante quando comparado com o positivo, num ratio de três interacções positivas para cada uma negativa, o acto de sublinhar o bom e a sua potenciação permitem um grau de florescimento dos sistemas que os faz diferenciar dos que estão em apatia ou desânimo’ (Fredrickson &Losada:2005, in Marujo & Neto: 2007).

Eis uma boa abordagem para o trabalho em equipa e para as COP’S; uma óptima estratégia para superar obstáculos da experiência humana global e… uma excelente pista para a construção dos nossos portfólios.

                                                           

Comments  Comments

 Sofia Alexandra | Clock  11 May 2009:

A QUESTÃO DA INTERDISPLINARIEDADE , LEVANTA OUTRAS QUESTÕES COMO A FRONTEIRA PROFESSIONAL , ONDE ACABA A MINHA INTERVENÇÃO E COMEÇA A DO OUTRO, E AINDA TERMOS EM CONTA QUE NO MEIO DESTA "DISPUTA " PROFISSSIONAL SE ENCONTRA UMA PESSOA / UTENTE OBJECTO DA NOSSA INTERVENÇÃO. como profissionais hoje poderemos " PERDER TERRENO PARA OUTROS PROFISSIONAIS , TENDO EM CONTA ADIVERSIDADE DE CAMPOS PROFISSIONAIS QUE VÃO INTERVINDO NO CAMPO SOCIAL?




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